Em um culto...
Sabe aqueles momentos que, como dizemos, nos sentimos um peixe fora d’água? Por vezes me sinto assim. Não por conta dessas estradas pedregosas e poeirentas, com tantas ciladas e encruzilhadas, mas por saudade, quer dizer, às vezes parece saudade com a sempre presente vontade, aquela de dois posts abaixo (Êxtase). Sei exatamente para onde estou indo e um dia vou chegar em casa, no entanto, essa certeza não subtrai em nada a ansiedade que, posso dizer, me é muito útil. Faz-me pisar mais firme, faz-me sonhar... “Quero te ver” – cantávamos – “Quero te tocar, quero te abraçar, quero te ver...” É isso! Esse é o motivo por que continuo a machucar os pés. Eu o amo! Quero vê-lo, senti-lo, tocá-lo... Um dia vou chegar em casa, mas a espera no amor não é passiva, não há como rejeitar facilmente o desejo involuntário desse sentimento. Sei que preciso esperar e caminhar alguns quilômetros mais, contudo, se puder ser agora, ao menos algum reflexo do que será, mesmo por traz ou em sombra. Poderia ser agora. Gostaria que fosse agora. E em sorrisos, não sei porquê não foram lágrimas, só pude sorrir e dentre eles continuava cantando – “Quero te ver, quero te ver...” À minha frente, duas jovens, abraçadas, chorando muito, parecia-me que, não sei ao certo, mas pensei que pediam perdão e dava a impressão que se perdoavam. O choro delas se tornava mais intenso e vivo a cada momento. Então tive certeza. Isso é o que elas faziam. Declaravam-se, diziam abertamente uma à outra, sem receio, dúvida ou medo, com a sinceridade de cada lágrima e de faces com pureza e transparência tais... Pude ler seus lábios, você também poderia – Eu amo você – diziam, olhando nos olhos. Não pude mais cantar, afinal, eu já estava vendo-o.
- Postado por: Max às 19:33
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